- Eu nunca fui à Tijuca, - disse ela, depois de um breve silêncio.
- Como assim?
- Nunca fui, ué. Não indo.
- Trinta anos de Rio de Janeiro e você nunca foi à Tijuca? - Ele não conseguia acreditar. - Nunca atravessou o Alto da Boa Vista?
- Não.
- Túnel Rebouças?
- Só para ir ao Maracanã ver o meu Flu.
Ele resolveu não entrar na interminável discussão se Maracanã era um bairro ou era parte da Tijuca. Ou de Vila Isabel.
- Mas e o metrô?
- O mais longe que fui foi a Uruguaiana.
Silêncio.
- A Tijuca não é tão longe assim. Nem dá para dizer que é longe.
- Só que eu nunca fui. E não me sinto culpada por isso.
- Ainda te levo à roda de samba do Estephanio's. Vila Isabel é uma boa introdução à Tijuca.
- Falou "o" tijucano.
- Já reparou que "tijucano" é o único gentílico dos bairros do Rio?
Ela buscou em sua curta lista de bairros cariocas algo para contradizê-lo. Mas não conseguiu. "Copacabanense" seria muito fraco.
- Na Tijuca dá para ver ainda alguns cariocas típicos em seu habitat natural. Devia ser reserva natural da paisagem humana carioca, - ele concluiu, ainda meio sem acreditar, também sentindo-se sem legitimidade para defender a zona norte.
"A Tijuca," diz Aldir Blanc, "não é um estado de espírito. A Tijuca é um estado de sítio."
A Tijuca
sábado, 12 de julho de 2008Postado por Rafael Leal às 12:47 AM